E naquele pedaço pequeno pequenininho de papel residia sua inspiração.
Queria encontrá-lo, mas o danado fugia-lhe das mãos. Aquela frase, aquela frase...
cadê?? e buscava que buscava na bolsa funda em que afundava as mãos frenéticas.
Quem olhasse de repente acharia muito engraçado, de rir mesmo.
E procurava que procurava e nada.
- Ai meu Deus, cadê esse papelzinho?
E assim passou um minuto e outro e outrozinho de mãos dadas,
divertindo-se das acrobacias da menina, até que ela cansou, como depois de uma aula de ginástica do colégio.
- Ah, era uma frase de um passarinho, que trupica!
A mãe já ficava aflita, que a menina encasquetava com uma coisa e não largava até cansar.
- Deixa disso, menina! Vem me ajudar aqui - e continuou a preparar o almoço.
O sol bonito, forte, alegrava o dia. Esticava os raios até encostar na menina,
como a brincar com ela também.
E o tal do passarinho, de atento que era, encostou lá na janela da cozinha e
ficou a espiar o que acontecia por ali.
A menina, cansada que estava, se largou na cadeira, rendendo-se de vez, pelo
menos por enquanto.
Mudava de energias tão rápido como o vento de um dia agitado. E o passarinho,
que olhava daqui e olhava dali, bico rápido mudando de posição, queria mais era ver agito, mas tinha chegado tarde.
Os olhos distraídos da menina pousaram no passarinho.
- Ah! Olha lá, mãe!
- Que foi, menina? - falou, sem tirar os olhos do seu afazer.
- O passarinho! - levantou-se correndo, animada de novo.
- Mas deixa disso, esquece esse passarinho, que não precisa me mostrar
não essa frase aí! Vem cá, que vou te ensinar uma coisa
Mas a menina não parava não, parecendo um foguetinho, correu olhar.
A mãe balançou a cabeça, tinha jeito não.
Gostei muito mesmo